Monday, May 14

hoje lembro-me de man ray


Esta velha angustia,
Esta angustia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pasadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.
Transbordou.

Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que…,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.

Estou assim…

(...)

Estala, coração de vidro pintado!

Álvaro de Campos

3 Comments:

At 19:41, Blogger Spicka said...

Lindo post, mas, o poema é o que sentes, ou apenas o postas-te porque é muito bonito?

 
At 19:45, Blogger jatoz said...

cito outro, desta vez baudelaire: há que estar sempre embriagado: de vinho, poesia ou virtude.

 
At 19:55, Blogger Spicka said...

hoje estás ao rubro! tens aqui "matéria" para vinte Meme! :)

 

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